sexta-feira, 30 de março de 2012

Prosperidade como promessa de Deus.

O tema da prosperidade abre diversas frentes de debate e reflexão. Pelo menos nos últimos vinte anos, tem sido a mola de propulsão de variadas denominações evangélicas, que usam e abusam deste conceito, que por sinal é bíblico. É evidente que, em se tratando de igrejas evangélicas, espera-se que a mensagem tenha embasamento bíblico. Diariamente vemos e ouvimos mensagens sobre o referido tema anunciadas em variados canais de televisão; usando alguns recortes bíblicos, principalmente do Antigo Testamento, diversos pregadores elencam uma série de promessas divinas sobre prosperidade. Contudo, precisamos nos lembrar de que a mensagem central do Antigo Testamento é “aliança”. O texto base que apresenta os termos desta “aliança” é o de Êxodo 24.7: E tomou o Livro da Aliança e o leu ao povo; e eles disseram: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. No contexto anterior, temos a revelação de Deus a Moisés, sendo que no capítulo 23, há a descrição dos direitos e deveres estabelecidos nos termos da aliança entre o Deus das promessas e o povo, alvo das promessas. O eixo central desta aliança é “fidelidade” de ambas as partes. Deus prometeu ser fiel no cumprimento de todas as promessas; e como resposta, o povo disse: Tudo o que falou o SENHOR faremos e obedeceremos. Entretanto, ao longo desta história da aliança, a Bíblia descreve que Israel não conseguiu cumprir os termos previamente estabelecidos. Vale dizer que o conceito de prosperidade conforme descrito no Antigo Testamento é bem diferente do que entendemos hoje. A prosperidade material no A.T é descrita como bênção de Deus para as tribos de Israel. para tanto, sempre houve exortação divina para que não houvesse ganância, usura e principalmente egoísmo. Em Dt 15.7-9 temos: Quando entre ti houver algum pobre de teus irmãos, em alguma das tuas cidades, na tua terra que o SENHOR, teu Deus, te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás as mãos a teu irmão pobre; antes, lhe abrirás de todo a mão e lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade. Guarda-te não haja pensamento vil no teu coração, nem digas: Está próximo o sétimo ano, o ano da remissão, de sorte que os teus olhos sejam malignos para com teu irmão pobre, e não lhe dês nada, e ele clame contra ti ao SENHOR, e haja em ti pecado.

Em nosso tempo, prosperidade material está incluída num contexto de individualidade e, sobretudo, equivale ao poder desenfreado do consumismo. Em nosso tempo, há ricos que desejam mais riqueza ainda; e há pobres cada vez mais pobres. Contudo, algo muito comum entre ricos e pobres, é que na maioria, ambos procuram e lotam as igrejas que prometem prosperidade, não em busca de Deus, mas em busca da prosperidade.

À semelhança do Antigo Testamento, a mensagem central do Novo Testamento também é “aliança”. Se no Antigo Testamento, Moisés é o portador da Boa Nova, que prenunciava uma terra boa e farta; no Novo Testamento, Jesus é o portador também da Boa Nova, que prenunciou um novo tempo, e nova forma de relacionamento com Deus. Mantém-se o conceito de “aliança”, contudo, numa perspectiva completamente diferente. Esta nova aliança é firmada em Cristo, e significa mudança de vida, novo nascimento, santidade, vida eterna e, sobretudo, a caminhada em busca da pátria celestial. Desta forma, a promessa de prosperidade material no Antigo Testamento é transformada em prosperidade espiritual no Novo Testamento. Foi o próprio Jesus quem nos ensinou: Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo, Jo 6:27. Disse também: Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, Lc 12:33.

Portanto, a última Boa Nova nos foi trazida por Cristo e é sobre ela que firmamos nossos passos. A marca fundamental na vida dos verdadeiros convertidos é a de que estes buscam primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, pois, confiam de todo coração que as “demais coisas” serão acrescentadas pelo próprio Deus, que cumpre a todas as suas promessas. Nesse sentido, a prosperidade material na vida do crente verdadeiramente convertido, acontece como bênção decorrente dos propósitos de Deus; ou seja, nem todo crente terá prosperidade material, mas, certamente todos terão o suficiente para viverem com dignidade, pois esta é a promessa de Deus para todos os seus escolhidos. Desta forma, a prosperidade material no Novo Testamento não é o alvo central; mas ela ocorre, e quando assim se dá, não ofusca o centro da fé cristã, que é a vida eterna. Então, prosperidade material é dom de Deus, e vem de seu propósito soberano de escolher a quem Ele decide distribuir os talentos. E não cabe a nós questionar o porquê recebemos cinco, ou dois ou um talento. Antes, nós adoramos a Deus pela salvação conquistada gratuitamente em Cristo, e não pela prosperidade material; esta é a mensagem que encontramos já no Antigo Testamento, nas palavras do profeta Habacuque 3.17-18: Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação. Assim, nos alegramos no Deus da nossa salvação. De posse dessa certeza, nós devemos honrar a Deus com tudo o que somos e com tudo o que temos, pois, tudo vem de Deus; Dele vem a nossa santidade e Dele vem o nosso suprimento necessário